À luta!!!

E se veio o tal de 2012...
Cá estamos, já 4 anos neste espaço,de vez em quando abandonado por outras tarefas:professor, artista, estudante...
Mas 2012 é um ano especial (como todos,né!)
Eleições nos municípios, e eu, novíssimo-velho militante no Partido que vem ponteando pela esquerda...O PSOL, que na nossa cidade, nem está organizado...(ainda)
Este blog servirá para refletir sobre isso, sobre esse vazio político que é esta segunda década do milênio...
Vazio que aos poucos vai sendo contestado.
De novo, então, à luta!!!

O que ando lendo...

  • "A formação dos professores e o ensino das artes visuais"
  • "El municipalismo libertário"
  • "Gracias por el fuego"(Mário Benedetti)
  • "La Propuesta educativa del taller Torres Garcia"

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Militantes, militontos e cabos eleitorais


Tenho dito com orgulho durante mais de duas décadas: sou militante.
Assim me conheceram meus amigos,no distante Uruguay e nos meus vinte anos de Brasil. Assim me conheceram minhas grandes paixões, assim me conheceu minha familia, minha companheira e minha filha. A banca que me avaliou na Universidade disse a mesma coisa: é inegável que sou um militante.
Mas nada incomoda mais a um militante de todos os dias que o período eleitoral.
Sim, porque neste período aparece o outro personagem histórico, caricato e cansativo, o "militonto", e o pior ainda, o mais trágico: o "cabo eleitoral".
Nas ruas estão as bandeiras.
Militontos e cabos eleitorais carregam bandeiras como fardos ou como ganha pão fácil. Os militantes não: eles próprios são as bandeiras
Há anos atrás, apenas carregavam(os) bandeiras os militantes.
Eram de pano, feitas em casa ou em improvisadas serigrafias. Tinham nosso nome. Eram "nossas" bandeiras, assim como o que elas simbolizavam era nosso também.
Não eram de um candidato: eram nossas.
Agora, em série, são atiradas desde carros de som e entopem os esgotos das ruas...
Desde o ônibus os vejo, à direita e à ex-querda, abraçados, os militontos e os cabos eleitorais.
No caso do cabo eleitoral, nada tem a dizer, pois geralmente, apenas se trata de um bico. Sacolejam bandeiras sem vontade, e olham bovinamente para quem os encara.
Sempre existiram à direita, massa de manobra por vezes; outras vezes, parte fundamental de relações de intensa sintonia com projetos populistas. Não são agente ativos da história, e estão ali contando as horas, faça frio ou chuva, esperando o vale transporte, o ticket refeição, assalariados de projetos que não os inclui.
Mas os militontos não: eles crêm dogmáticamente, e não interessa se seu candidato ontem era contra o FMI e hoje se abraça a ele: interessa que seu líder lhes diga onde ir, como ser, o que ser... Militonto não questiona: crê.
Aceita que o realismo se apodere do imaginário, e se vende baratinho: basta sonhar com um carguinho de assessor de qualquer coisa, ou quem sabe, se ganhar o governo do estado... Me lembram muito o personagem "68", misturados com o "Fagundes, o puxa-saco", do Laerte...
Os piores militontos tem mais de trinta anos. Já diziam os muros de Paris, "não confie em ninguém com mais de trinta"... Sim, esses que viram a metamorfose da ex-querda oficial, esses que sabem da contradição antagônica entre os sonhadores de ontem e os administradores de hoje, esses que sabem das sabotagens protagonizadas por esses candidatos as melhores utopias que o século XX construiu, esses que foram testemunhas das puxadas de tapete, das brigas mais estapafúrdias, dos silêncios impostos as dissidências, esses que desde alguma sala qualquer aceitam os marketeiros que determinam o horário do bandeiraço.... esses militontos que tudo isso sabem e mesmo assim, saem as ruas carregando bandeiras já gastas pelo tempo são a cariatura dos militantes.
Nada faz pensar mais nesses personagens que o filme "O sol enganador", do russo Nikita Mikhalova. Espero que algum dia esses ex-companheiros, muitos dos quais eu muito aprecio, possam se dar conta que nestes tempo, o stalinismo tem outras formas, e que as bandeiras que eles levantam são tão enganadores quanto os balões com a propaganda do georgiano Josef.
Enquanto isso, aonde estamos os militantes?
Que bandeiras levantamos?
Como os reconhecemos?
Nos reconhecemos ainda na nossa capacidade de sonhar e não ter vergonha disso; nos reconhecemos na nossa atitude do dia a dia, nos reconhecemos nos valores com os que convivemos com todas as pessoas em cada espaço em que estamos.
Levantamos as mesmas bandeiras vermelhas: socialismo, liberdade, fraternidade. Mas a maioria das vezes, as bandeiras somos nós mesmos.
Como disse uma camarada santanense "...os militantes são realmente a própria bandeira, própria bravura, cara e coragem...". Por isso nos reconhecemos.
E que este século que já ultrapassa sua primeira década dé à luz a outras gerações de militantes, capazes de prenhar o futuro de porvir e esperança.

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