À luta!!!

E se veio o tal de 2012...
Cá estamos, já 4 anos neste espaço,de vez em quando abandonado por outras tarefas:professor, artista, estudante...
Mas 2012 é um ano especial (como todos,né!)
Eleições nos municípios, e eu, novíssimo-velho militante no Partido que vem ponteando pela esquerda...O PSOL, que na nossa cidade, nem está organizado...(ainda)
Este blog servirá para refletir sobre isso, sobre esse vazio político que é esta segunda década do milênio...
Vazio que aos poucos vai sendo contestado.
De novo, então, à luta!!!

O que ando lendo...

  • "A formação dos professores e o ensino das artes visuais"
  • "El municipalismo libertário"
  • "Gracias por el fuego"(Mário Benedetti)
  • "La Propuesta educativa del taller Torres Garcia"

domingo, 26 de junho de 2011

...Um 27 dejunho...

Esta data para muitos quase nada quer dizer. Para muitos daqui, destas bandas, é claro.
Já na "Banda Oriental", é uma data de triste memória: é o aniversário do golpe de estado de1973.
Eu tinha 5 anos, e vivia na Argentina, apenas significou, no começo,mais burocracia cada vez que viajava ao Uruguay. E quando entrei na escola, em "75, no dito "Año de la Orientalidad", significou bater continência e ir a marchar todos os meses, por uma causa ou outra,sempre à serviço do governo "de fato".
Depois... em 1984, preparava-se uma grande panfletagem em Rivera.Fazia uns meses que o pequeno grupo de amigos tinhamos nos tornado um núcleo da clandestina Juventude Socialista do Uruguay. Coube a nós uma tarefa simples: trazer desde a vizinha cidade de Livramento uns 10.000 panfletos, que seriam distribuidos na madrugada. Fomos até a Câmara de Vereadores, e carregamos os panfletos numas sacolas. As risadas se tornaram preocupações sérias quando "pasamos la línea"... descemos três quadras pela Calle Uruguay até a casa de Marcos, e lá mudamos o localdos panfletos: guardamos eles nos nossos corpos, entre a camiseta e a camisa, e saímos de uniforme de liceo, certos de nossa cara de inocentes estudantes...
Mas eis que a apenas vinte metros da casa do companheira, nos para uma viatura, e mais uma e mais uma.Cinco da tarde. Susto. Perguntam de onde viemos:
"...Quietitos ahí, gurises. De donde vienen?..."
Rápido, respondi que era da casa de Marcos, alí no lado, estávamos indo pra Biblioteca... Aí eles falaram comseu castelhano comsotaque fronteiriço:
"...Ah, tá. Ustedes no vieron unos gurises de bicicleta? Es que recién robaron unas bicicletas, y eran cuatro gurises, como ustedes...".
Outro falou:..."Tché, deixa eles. No ves que están deuniforme del liceo?Vamo'embora!!!"...
E se foram rápidamente, nos deixando com asensação de que eramos quase heróis... Distribuímos os panfletos nas casas combinadas, e na madrugada saímos numa kombi sem portas nem placa esparramá-los pela cidade.
E no outro dia caminhamos, uns trinta guris, da Praça de Esportes até a Praça Artigas, cantando palavras de ordem e entoando o hino frente ao monumento do prócer, em especial o estribilho que diz "Tiranos temblad!!!"...
Depois foi tudo tão rápido, que 27 anos depois, muitas coisas começam a se perder nos trilhos da memória. Mas impossível esquecer daqueles quatro desbravadores: Jeffo, Tony, Marcos e eu...
Quase vinte anos depois disso, em 2003, tinha me tornado um burocrata público em nome do socialismo. Estava à frente da Secretaria de Cultura de Esteio. De cultura, turismo, artes; até tinha sido secretário de desenvolvimento econômico... Mas não servia para a chefia de turno, e pouco a pouco comecei a ser "fritado", como se diz nesse meio. Então, na sexta feira 27 de junho de 2003 pedi a minha demissão. E voltei à vida civil, cheio de mágoas, desilusões, decepões.
Oito anos depois, avalio quetudo isso tinha que acontecer mesmo: que aquele guri dos panfletos não merecia ter como herdeiro o burocrata, que agora estou mais em sintonia com o que sempre fui, um pouco artista, um pouco professor, um pouco estudante... e sempre militante.
Por um par de anos larguei a vida partidária, voltando a ser um "militante estudantil"(temporão, é claro!!!). Mas agora como professor e como cidadão,prestes a viver nesta comuna mais um processo eleitoral, não posso me furtar a me posicionar...Se com 16 anos podia não ter medo da ditadura, o que posso temer agora? Nada, é claro. Por isso me filiei ao PSOL, onde os militantes dignos se encontram sob o sol das velhas bandeiras, e das novas. Temos muito a fazer, confrontando a direita velha e decrépita, mas também agora desmascarando a esquerda "oficial", essa empoderada nas estruturas governamentais, com seus milhões e seus novos aliados, com seus métodos novos de estalinistamente, se tornarem os donos da verdade...
Como dizia um poema do socialista uruguaio Walter Medina:
"...En este país de pies descalzos//puños sangrientos//y dientes apretados//
yo estoy de pie luchando//porlo que luchan//mis hermanos..."

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